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Aves Migradoras

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    Fragmento do texto: Mas tu és minha amiga, balbuciava a creatura querendo tomar lhe as mãos n'uma supplica desolada. Devias ter dó d'esta fatalidade que me leva ao encontro de Ruy. Oh, tu não sabes! A idéa d'elle tira me o somno, embebeda me, convulsiona me, vai commigo a toda a parte. Tu ao menos tiveste familia, irmãos, alguem. A mim nunca ninguem me quiz. Os garotos puxavam me os cabellos, meu pai batia me em estando embriagado. Aos dez annos puzeram me fóra, que fosse trabalhar. E andei descalça atraz dos porcos, ia aos sabbados pedir esmolas ás portas dos ricos. Um verão agarram me a furtar uvas n'uma vinha: o vinheiro era um bruto, jogou me um tiro; e cheia de sangue, quasi morta, uns cavadores que passavam, foram levar me a casa da minha madrasta. Mas á embocada da aldeia, como eu ia estendida n'uma padiola de ramos, a senhora marqueza viu me passar da sua janella, e por caridade, recolheu me. Alli se fôra creando, a fazer companhia ao menino. Ruy n'esse tempo era um despota, obrigava a a saltar muros, a pendurar se de cordas, a fazer de cavallo. E batia lhe. Em compensação Luiza adorava o com um amor de cadella agradecida. Do fundo da sua humildade, nascia lhe um deslumbramento inexplicavel, uma curiosidade , uma cegueira de Ruy. E nervosa, franzininha, como a figura d'uma borboleta na melancholia pallida d'um sonho, adquirira já precocidades: e os seus grandes olhos remordiam na belleza do pequenito, substractos de muitissimas aspirações. Na quinta, os trabalhadores ás vezes perguntavam lhe: Queres ser amiga além do menino?